terça-feira, 29 de novembro de 2011

Meu sangue latino

Muitos de nós brasileiros temos um terrível defeito: esquecer que habitamos a América Latina! Muito mais que uma questão de territoriedade, corre também no nosso sangue toda uma efervescência cultural riquíssima num sotaque extremamente belo, expressando uma forma de pensar toda peculiar. Tenho ouvido de uns tempos pra cá umas bandas latinas que por muitas vezes têm elevado minha alma a contemplar a beleza maior da vida, sempre escondida por trás do cotidiano, mas como diria o Apóstolo Paulo, muito perto de nós (At17:27)!
É isso aí! Faz o teste! Dá uma sacada no trabalho desses artistas (alguns deles com décadas de estrada): Maná, Café Tacuba, Los Cocineros, Fito Páez.
















Por: Bruno Anselmo

domingo, 16 de outubro de 2011

Displays de Deus


Ao passar, Jesus viu um cego de nascença. Seus discípulos lhe perguntaram: "Mestre, quem pecou: este homem ou seus pais, para que ele nascesse cego? " Disse Jesus: "Nem ele nem seus pais pecaram, mas isto aconteceu para que a obra de Deus se manifestasse na vida dele. (João 9:1-3)

Uma expressão me chamou bastante atenção ao ler esta passagem do evangelho de João há alguns dias atrás. Jesus é interrogado acerca de um homem que era cego de nascença. Por que ele nasceu desse jeito? De quem foi a culpa??

A resposta pode ser encontrada num item bastante familiar ao dia a dia dos profissionais de marketing e propaganda: o display de ponto de venda. De acordo com o dicionário, display pode ser definido como "Mostruário destinado a atrair a atenção do comprador" ou "Peça de propaganda, geralmente pequeno cartaz montado em papelão, com ou sem suporte ou ilhoses". Existem displays dos mais variados formatos e tamanhos, dispostos nas lojas numa guerra de mercado ininterrupta pela atenção dos clientes. Os mais criativos se destacam. 

O tipo de pensamento relativo a um deus punitivo parecia ser bastante comum entre os judeus na época de Jesus (ver Lucas 13:1-5). Após concluírem que uma calamidade assim se abateu sobre alguém que cometeu um crime ou falta hedionda, os discípulos ficaram então curiosos para saber quem pecou: ele ou os pais. Cristo responde ensinando e retificando os discípulos: Nem ele nem os pais, mas para que se manifestem nele as obras de Deus (para que ele seja um display de Deus – na versão em inglês!!!). Coisas ruins ou calamidades incomuns nem sempre acontecem como punição a pecados, mas acontecem muitas vezes apenas para manifestar a glória de Deus e suas obras em nossas vidas.

















Não entendemos tudo o que acontece em nossas vidas. Algumas situações são mesmo paradoxais... Mas há uma grande esperança que podemos lembrar ao passar por elas: as coisas em nossa vida não acontecem por acaso, há um Deus de amor que cuida de nós e que faz das nossas vidas algo útil e belo em Suas mãos! Sua vida pode ser usada por Ele para fazer bem a muitas outras vidas!

Por: Bruno Anselmo

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Como você vê o mundo?

Em geral, nossas ações são orientadas pela maneira como enxergamos o mundo e a vida. Somos mais influenciados do que conseguimos notar por todo o conjunto de valores que nos foram embutidos pela cultura, família, religião, convívio, educação, etc. Dessa forma, carregamos uma bagagem cultural, socialmente construída, e assim atribuímos significados e valores aos objetos com os quais entramos em contato cotidianamente. É com base nessa bagagem que classificamos alguma coisa como sendo boa ou má (nossa ética), bela ou feia (senso estético), como verdadeira ou falsa (epistemologia). Nossa percepção da realidade e as reações que temos diante da vida são, portanto, bastante afetadas pela nossa visão de mundo.

Em outras palavras, nossa prática vai refletir necessariamente os nossos pressupostos. Não há como fugir deles! A busca pela imparcialidade/neutralidade absoluta já se mostrou como uma pretensão ilusória. O missiólogo presbiteriano Cássio Silva, por exemplo, afirma que “mesmo no meio científico, já é consenso a impossibilidade de uma epoché total. A total neutralidade na pesquisa científica é uma falácia. É impossível uma total suspensão de juízo”[1]. É interessante a discussão levantada pelo autor. Ele utiliza, o termo “epoché”, da Fenomenologia da Religião, para denotar a suspensão de juízo (ou dos pressupostos), que um missionário deve tentar obter em seus primeiros contatos com o povo que deseja alcançar. Esta tentativa tem por objetivo entender as manifestações religiosas daquela cultura, do ponto de vista do homem religioso, isto é, daquele que vive a experiência, evitando assim conclusões errôneas ou precipitadas acerca dos fenômenos observados. O esforço é válido e deve ser buscado, porém, o exercício de se colocar no lugar do outro fica no campo da tentativa, pois o máximo que se consegue é uma neutralidade parcial.  

      De fato, os pressupostos que temos determinam nossas percepções, ações e reações. Um bom exemplo disso pode ser encontrado na Idade Média. O pensamento católico medieval era essencialmente dicotômico. Assim, o homem medieval concebia o mundo em categorias de valor distinto, tais como sagrado e profano, espiritual e secular, etc. Essa concepção dividia a Igreja em duas categorias de crentes: o clero, composto pelos ministros ordenados, homens e mulheres que se dedicavam a atividades “espirituais” como oração e contemplação, e os leigos, que viviam suas vidas ordinárias, tinham suas profissões seculares nas mais diversas áreas, portadores de menor santidade e importância espiritual, desprovidos de qualquer status religioso. Os cristãos foram, assim, rotulados como ecclesia docens (a igreja que ensina) e ecclesia audiens (a igreja que aprende)[2]. Tal visão de mundo acerca da natureza da Igreja , naturalmente, foi determinante nas atitudes dos cristãos daquela época. A prática missionária no período medieval, por exemplo, esteve quase que restrita aos monges, enquanto que a grande massa de cristãos “leigos” permaneceu passiva sem se envolver em missões. Os Guinness denominou este fenômeno de “efeito relaxante”, pois “reservava o caminho radical para os especialistas (aristocratas da alma) e deixava todos os demais livres de cumprir sua responsabilidade”[3].     

Os exemplos se multiplicam. Basta observar o contraste entre a colonização da América do Norte e a colonização portuguesa no Brasil. Enquanto o primeiro modelo de colonização, alicerçado na teologia protestante, pretendia povoar a terra, transformando-a numa habitação segura garantindo as liberdades individuais (visão que levou ao desenvolvimento dos Estados Unidos em vários âmbitos), o segundo modelo, em parceria íntima com o catolicismo romano, propunha apenas a exploração da colônia. Os portugueses, por isso, não procuraram desenvolver de forma duradoura a colônia, garantindo a liberdade e o bem estar dos colonos, mas apenas explorar os seus recursos e impor a cultura dominante. 

O modo como vemos o mundo pode mudar o mundo”. De fato, se entendermos que, como criaturas de Deus (e Seus filhos), nosso papel é viver para a glória dEle em TUDO, em todos os âmbitos e áreas da vida, compreendendo nosso chamado de forma holística (sem departamentalizar a vida), poderemos nos lançar em amor e serviço, a Deus e ao próximo. É preciso fazer eco a Abraham Kuyper, para o qual toda polegada quadrada de toda a criação pertence a Cristo! Precisamos apreender a realidade tendo em nós as lentes da Bíblia, devemos começar por ela toda nossa argumentação e leitura do mundo. Tal como afirma o apóstolo Paulo: “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus” (1 Co 10:31).

Por: Bruno Anselmo



[1] SILVA, Cácio. Compreendendo as idéias religiosas a partir de suas manifestações. Disponível em:
 < http://instituto.antropos.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=549&Itemid=73 >. Acesso em: 22 out. 2010.
[2] ENGEN, Charles van. Povo Missionário, Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 1996. p.133.
[3] GUINNESS, O. O Chamado. São Paulo: Cultura Cristã, 2001, p.41.

sábado, 30 de julho de 2011

Morre o cara que nos lembrou que crer é também pensar!



















Morreu neste último dia 27, aos 90 anos de idade, o pastor anglicano John Stott, um dos homens que mais contribuiu para a Teologia dos nossos dias. Seus escritos profundamente bíblicos e sensivelmente contextualizados à contemporaneidade, sempre temperados de muita devoção, cheios da energia e da coragem espiritual de um cara que parecia muito mais jovem do que a certidão de nascimento denunciava, abençoaram bastante minha vida até hoje e a de milhões de cristãos ao longo dos anos. Dentre os seus livros mais marcantes, lembro do seu comentário de Efésios, além de "Ouça o Espírito, ouça o mundo" e "O Perfil do Pregador". John Stott foi um dos mais influentes líderes presentes no famoso Congresso de Lausanne (1974), esforço internacional interdenominacional pela evangelização mundial, que tem impactos tremendos na igreja cristã e no mundo até hoje.


John Robert Walmsley Stott
27 de abril de 1921 - 27 de julho de 2011

Fica aqui nossa sincera homenagem a esse gigante que lembrou a todos nós: CRER É TAMBÉM PENSAR!

Por: Bruno Anselmo

sábado, 23 de julho de 2011

I said "no no no"!


















Triste fato a morte dessa menina... Muito triste! 

A sensação é mesmo de uma interrupção, de algo faltando, de que ainda havia mais pra ela viver... Triste constatar também o quanto nossa sociedade tem se tornado cada vez mais entorpecida diante dos acontecimentos. A morte de Amy Winehouse explodiu nos canais de comunicação neste sábado como uma bomba: os principais sites de notícia, a Globo, os canais da tv a cabo e as redes sociais... O conteúdo ia desde notas sobre o fato, até comentários de críticos musicais como Nelson Mota, passando por especiais de tv em homenagem à cantora (alguns dos quais enfatizando os seus 27 anos, idade com a qual grandes ícones juvenis como Kurt Cobain e Janis Joplin se foram).

Além de informar, a mídia muitas vezes faz questão de invadir, banalizar, esgotar... 

Porém o que chamou a atenção foram mesmo alguns dos comentários no Facebook. Em meio a pessoas sinceramente lamentando o acontecido, outras teciam comentários do tipo: "Amy Whinehouse morreu - kkkkkkkkk!". 

O que é isso???

Será que perdemos o real valor das coisas? Será que nossa sociedade está tão embrutecida com o excesso de violência atual que nada mais importa? Será que a espetacularização constante dos fatos pela mídia tem nos tornado insensíveis a coisas como a morte prematura de uma menina talentosa no auge de seus 27 anos? 

Quem morreu? Uma pessoa? Um personagem? Uma piada???

Alguém que um dia muitos viram bebê, da qual os mais de perto nutriam expectativas... e foi crescendo. Da infância à adolescência (provavelmente conturbada) à fase adulta... 27 anos!

Alguém com família, sonhos, anseios profundos na alma. 

Alguém que tinha vida. Não só uma voz, mas vida!

Alguém que realmente não buscou suprir seus anseios e saciar sua carência na fonte certa. E, por isso, sua vida se esvaiu tão cedo. 

Com essa história toda lembramos do verso de uma música*, uma espécie de lamento, que diz: "Ela não vai mais saber das surpresas que Deus iria lhe trazer...". Ecoam também  os sonoros "no, no, no" dessa menina de cabeça dura, mas extremamente amada por Deus, certamente querida pelos amigos e por muitos e muitos fãs pelo mundo todo.

"Venham, todos vocês que estão com sede, venham às águas; e, vocês que não possuem dinheiro algum, venham, comprem e comam! Venham, comprem vinho e leite sem dinheiro e sem custo. Por que gastar dinheiro naquilo que não é pão e o seu trabalho árduo naquilo que não satisfaz? Escutem, escutem-me, e comam o que é bom, e a alma de vocês se deliciará na mais fina refeição.Dêem ouvidos e venham a mim; ouçam-me, para que sua alma viva (...) Busquem o Senhor enquanto se pode achá-lo; clamem por ele enquanto está perto". (Bíblia, Isaías 55:1-3,6)

O lamento que fica não é apenas pela música, que perdeu uma das melhores vozes da atualidade, mas pela pessoa de Amy Winehouse, que nas loucuras de seus dias, perdeu a vida. 
Por Bruno e Clariza Anselmo

* Surpresas - banda Close

 

sábado, 2 de julho de 2011

Oscar Niemeyer e João Pessoa



Além do tradicional pôr-do-sol do Jacaré, do Centro de Artesanato e da orla legal, João Pessoa tem um outro lugar massa pra conhecer. Projetado por Oscar Niemeyer, o Espaço Ciência de João Pessoa abriga exposições interessantes e possibilita uma belíssima vista da cidade (o prédio principal tem uma varanda irada com vista pro mar). A arquitetura fala por si só! Muito legal! 


Por: Bruno Anselmo